quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Schaars, o capitão sem braçadeira


No mês de Junho, numa quinta-feira como muitas outras, soubemos através dos media, a contratação relâmpago de um tal médio holandês vindo do AZ Alkmaar. A primeira coisa que deve ter vindo á cabeça de sportinguistas mais distraídos é que foi uma contratação esquisita á  Carlos Freitas, mais um para comer dinheiro. Mal habituados, nós, ainda com mazelas do governo JEB/Costinha, ficamos desconfiados com contratações do tipo de Schaars, Wolfswinkel, Carrillo... Para os olhos mais atentos ao futebol internacional, estes eram valores já conhecidos, mas nunca se iria imaginar que Carlos Freitas tivesse a ideia de se reforçar no país das tulipas. Talvez Marco Van Basten fora a inspiração de Freitas... Ora eu não conhecia Schaars, e só sabia que existia o AZ Alkmaar porque já jogámos contra eles em 2005 para a Taça Uefa. 
Alguns já o chamam de mágico laranja, outros de geómetra, mas o que ele é para mim, é um capitão sem braçadeira, e a sua aquisição foi uma das pechinchas do defeso. É um jogador que não precisa de estatuto, para comandar e organizar os restantes 9 jogadores de campo. Pode, pela primazia que dá à circulação da bola, até nem se dar muito por ele. É, porém, um dos jogadores em destaque no crescimento deste Sporting. Boa técnica de passe, bem visível essencialmente quando opta por manter a bola na relva, Schaars sabe quando entregar no pé, ou no espaço. Ainda que não tenha um histórico importante de golos, percebe-se que tal pode ser fruto da posição que ocupa no campo. É que Stijn demonstra muita qualidade no pé esquerdo quando tem de bater a bola, e já leva 3 na sua conta pessoal. Concluindo, é um médio que faz muito bem as transições ofensivas da equipa, e quando joga ao lado de Elias, completa-se. Pode não ser vistoso, mas é muito importante.
Aos mais atentos ás calcinadas de talento da nossa imprensa, não passou despercebida a fantástica entrevista do holandês ao jornal oJogo. Depois de ler as suas palavras, e as relacionar com a sua postura dentro das quatro linhas, concluo que temos ali num futuro próximo, um verdadeiro capitão.
Ficaram-me na retina frases como: "O Sporting não é clube de ser segundo ou terceiro; temos de ser campeões. Mas estamos ainda no início. Todos esperam os grandes jogos, mas se não ganharmos os jogos pequenos, nunca seremos campeões." e "Vejo situações que vão acontecer, se vejo jogadores fora da posição, se vejo que algum tem de estar uns metros para o lado grito para corrigir. Se se movimentarem, já não acontece o que eu previa. É essa a minha maior virtude: vejo coisas antes de elas acontecerem. Se calhar, é por isso que falam da minha liderança. Não estou sempre a dar nas vistas, a marcar golos, mas sou como aquilo que se põe entre os tijolos numa construção; sou uma espécie de cimento, é assim que vejo o meu papel numa equipa.".
Stijn Schaars mostrou nesta entrevista aquilo que poucos mostram quando falam para o publico. Não disse cantilenas ditas e reditas por futebolistas que não têm na comunicação e liderança o seu forte. Stijn transmitiu-me sobretudo que é um homem que não precisa de protagonismos, de golos nem de capas de jornais para se sentir realizado. O que faz, fá-lo em prol de um todo. E esse todo, somos nós... o SPORTING!

2 comentários:

Miguel disse...

Grande texto, parabens !

Faz-me lembrar muito o Hugo Viana, mas com mais mobilidade e qualidade! Tem tudo para vir a ser o capitão do Sporting num futuro próximo!

Abraços

Leo disse...

Obrigado :)